Luiz Henrique Matos

Duas fotos de Henri Cartier-Bresson

17/12/2009 · Deixe um comentário

Hoje fui à exposição de Henri Cartier-Bresson aqui em São Paulo. Aproveitei o horário de almoço e caminhei com o Gustavo até o lugar.

Além da qualidade das imagens, outra coisa me fez parar pra pensar sobre o talento do fotógrafo: a sensibilidade para enxergar a beleza no cotidiano. As cenas comuns, a vida rotineira nas cidades e no campo, as pessoas em seu dia-a-dia sem se desligar do que fazem. O incrível, na fotografia e nas cenas, é o “olhar ausente” (como diria o Sérgio) do artista que encontra o encanto nas coisas pequenas.

Vale para fotos, para a escrita e para pensar nas coisas que nos afetam.

Henri Cartier-Bresson

Vale também uma visita à exposição ou ao site do fotógrafo.

Henri Cartier-Bresson

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Uma canção para COP15

15/12/2009 · Deixe um comentário

“Beds Are Burning”, um vídeo-manifesto da ONG TckTckTck em campanha contra o aquecimento global.

Mais informações no site Time for climate justice.

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A Bíblia é muito fácil de entender

14/12/2009 · Deixe um comentário

A questão é simples. A Bíblia é muito fácil de entender. Mas nós, cristãos, somos um bando de vigaristas trapaceiros. Fingimos que não somos capazes de entendê-la porque sabemos muito bem que no minuto em que compreendermos estaremos obrigados a agir em conformidade. Tome qualquer palavra do Novo Testamento e esqueça tudo a não ser o seu comprometimento de agir em conformidade com ela. “Meu Deus”, dirá você, “se eu fizer isso minha vida estará arruinada. Como vou progredir na vida?”.

Aqui jaz o verdadeiro lugar da erudição cristã. A erudição cristã é a prodigiosa invenção da igreja para defender-se da Bíblia; para assegurar que continuemos sendo bons cristãos sem que a Bíblia chegue perto demais. Ah, erudição sem preço! O que seria de nós se você? Terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo. De fato, já é coisa terrível estar sozinho com o Novo Testamento.

- Soren Kierkegaard, citado por Paulo Brabo no livro A Bacia das Almas.

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Pra quê?

12/12/2009 · 1 Comentário

por Luiz Henrique Matos

Sabe, acho que a competição toda já passou do ponto para mim.

É que chega um hora em que as pessoas ao redor começam a te observar e cobrar um “próximo passo”. Nessa altura do jogo, já não basta sua capacidade, talento e empenho para que o mérito lhe seja outorgado, agora é preciso vencer, é hora de arregaçar as mangas e partir para a luta. Como se a vida fosse um campo de batalha e nós, combatentes ambiciosos.

Desculpe, mas eu não quero. Peço perdão também pela imaturidade dessas palavras, mas às vezes a infantilidade ergue a voz petulante. Pensando bem, eu nem diria que é infantil, isso tudo é coisa de adolescente, que acredita ter a razão no bolso do shorts e o direito de se expressar e reivindicar sua… sua… bem, adolescentes só querem ter o direito de alguma coisa, não importa exatamente o que seja.

E eu tenho muito disso, admito. Eu quero ter o direito de não precisar provar minhas habilidades a todo instante – até porque, é fato, não sou hábil em muitas coisas, muito menos a cada instante.

Quero viver. Quero amar, estar, crer, ser. Simplesmente ser.

Quero desfrutar a boa vida ao lado da mulher que amo, dos meus filhos, da família, dos amigos, em Deus.

E quero ter o direito de estar errado sem que isso me pese como condenação.

Quero parar de competir, porque acho que não vale a pena e, no fim das contas, isso não é vitória coisa nenhuma.

Eu quero acreditar – e tenho esse direito – que ao invés de me estapear com alguém para ocupar o lugar mais alto, posso lhe estender a mão, chamá-lo de irmão e finalmente estarmos, todos, na posição mais nobre.

Jesus disse: “do que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”.

Quando crescer, eu quero é ganhar a vida.

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Dostoievski e a pena de morte

12/12/2009 · Deixe um comentário

O diálogo entre o Príncipe Míchkin e o criado do general Iepátchin, em “O idiota”.

Sabe de uma coisa? – secundou o príncipe com ardor. – Essa mesma observação que o senhor fez todo mundo faz, e a máquina, a guilhotina, não foi inventada com esse fim. Mas naquela ocasião me ocorreu uma idéia: e se isso for ainda pior? O senhor acha isso engraçado, isso lhe parece um horror, e no entanto sob um certo tipo de imaginação até um pensamento como esse pode vir à cabeça. Reflita, por exemplo, se há tortura; neste caso há sofrimento e ferimentos, suplício físico e, portanto, tudo isso desvia do sofrimento moral, de tal forma que você só se atormenta com os ferimentos, até a hora da morte. E todavia a dor principal, a mais forte, pode não estar nos ferimentos e sim, veja, em você saber, com certeza, que dentro de uma hora, depois dentro de dez minutos, depois dentro de meio minutos, depois agora, neste instante – a alma irá voar do corpo, que você não vai mais ser uma pessoa, e que isso já é certeza; e o principal é essa certeza. Eis que você põe a cabeça debaixo da própria lâmina e a ouve deslizar sobre sua cabeça, pois essa quarto de segundo é o mais terrível de tudo. O senhor sabe que isso não é fantasia minha, que muitas pessoas disseram isso? Eu acredito tanto nisso que lhe digo francamente qual é minha opinião. Matar por matar é um castigo desproporcionalmente maior que o próprio crime. A morte por sentença é desproporcionalmente mais terrível que a morte cometida por bandidos. Aquele que os bandidos matam, que é esfaqueado à noite, em um bosque, ou de um jeito qualquer, ainda espera sem falta que se salvará, até o último instante. Há exemplos de que uma pessoa está com a garganta cortada, mas ainda tem esperança, ou foge, ou pede ajuda. Mas, no caso de que estou falando, essa última esperança, com a qual é dez vezes mais fácil morrer, é abolida com certeza; aqui existe a sentença, e no fato de que, com certeza, não se vai fugir com ela, reside todo o terrível suplício, e mais forte do que esse suplício não existe nada no mundo. Traga um soldado, coloque-o diante de um canhão em uma batalha e atire nele, ele ainda vai continuar tendo esperança, mas leia par esse mesmo soldado uma sentença como certeza, e ele vai enlouquecer ou começar a chorar. Quem disse que a natureza humana é capaz de suportar isso sem enlouquecer? Para quê esse ultraje hediondo, desnecessário, inútil. Pode ser que exista um homem a quem leram uma sentença, deixaram que sofresse, de depois disseram: “Vai embora, foste perdoado”. Pois bem, esse homem talvez conseguisse contar. Até Cristo falou desse tormento e desse pavor. Não, não se pode fazer isso com o homem.

Fiódor Dostoievski, no livro “O idiota” (p. 43).

Post para o blog Livros só mudam pessoas.

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Vocação

08/12/2009 · Deixe um comentário

“Vocação”, texto de Ariovaldo Ramos.

Quando alguém se converte a Cristo, para de sofrer…
Por si!

Quando alguém se converte a Cristo, passa a sofrer…
Pelo outro!

Quando alguém se converte a Cristo, em tudo, passa a dar graças…
Por si!

Quando alguém se converte a Cristo, passa a se sacrificar…
Pelo próximo!

Original aqui.

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Presente de aniversário

03/12/2009 · 2 Comentários

Ontem foi meu aniversário e ao chegar em casa, além de um excelente presente dado por minha esposa e filha, recebi também um carta, assinada pelas duas, com o criminoso conteúdo abaixo:

02/12/09

Filha, hoje é aniversário do papai. Fala o que você deseja para ele e eu escrevo aqui nessa cartinha.

- Bolo… vela… hmmm sorvete… não, sorvete não, sorvete é ruim… não, sorvete sim, põe aí mãe… e presente.

Isso é o que ela deseja para você!

Mas eu também perguntei:

- Filha, você gosta do papai?
- Ahâm
- Ele é divertido?
- Ele não é divertido, ele é papai… feliz aniversário pra ele. Vou fazer um desenho.

Esperamos que goste.

Bjs,
Mamãe e Nina

Amamos você!

Entre os rabiscos que ela própria fez, havia o desenho (com a devida legenda, evidentemente) de um bolo e uma vela.

Não se deveria deixar pais emotivos receberem esse tipo de coisa. Mas a vida tem dessas peças. Foi a melhor coisa do dia.

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Jerusalém

30/11/2009 · Deixe um comentário

Meu amigo Jorge Oliveira, do Canto do Jó, publicou em seu blog um link, no mínimo, interessante.

Aos interessados, fanáticos ou puramente curiosos, esse site contém fotos em 360º do Santo Sepulcro, em Jerusalém – lugar que muitos acreditam ser a gruta em que Jesus foi sepultado.

Para acessar, clique aqui.

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Comodidade

27/11/2009 · 3 Comentários

por Luiz Henrique Matos

A comodidade é um perigo que não bate à porta. Ela chega sem avisar. É duro se dar conta, num certo dia, que a aparência de felicidade e paz na sua vida é, na verdade, o marasmo. Tudo parece tão fácil, as coisas caminham bem, cada passo pode ser dado com um certo planejamento. Mas nem percebemos que estamos andando em círculos.

É um perigo.

E não se trata de alegria ou tristeza, nem de riqueza ou pobreza. Trata-se de realização. O fato é que nos deixamos levar pela vida, nos cercamos de pequenos confortos e isso, sem risco que nos amedronte, se ocupa de nos preencher.

É a rotina com aspecto de aventura. É o caminhar sobre uma esteira rolante, é viver no modo automático sem se dar conta de que nossas escolhas e atitudes – ou a falta delas – nos fazem apenas existir.

Sabe, me perdoe a ousadia, mas preciso dizer: às vezes, se tudo vai indo bem é porque algo não está bem.

Se o próximo grande passo que tenho para dar na vida é a troca do meu carro por um modelo mais novo ou decisões sobre meu trabalho, então eu me apequenei.

A vida é grande demais para eu tratá-la dessa forma. É um presente inestimável para que eu faça dele algo tão diminuto. Eu desonro o seu Autor conduzindo-a de forma tão triste.

Faço um balanço: onde estão os meus planos? Onde dormem meus sonhos? Onde guardei as aventuras, viagens, filhos e os jantares a dois que imaginei? Cadê as grandes conquistas que brotavam na imaginação e faziam valer qualquer desafio?

Vamos nos afundando. No sofá, no marasmo, no lero-lero repetitivo dos dias. E a barriga cresce, os cabelos caem, a mente atrofia. E a gente fica querendo um controle-remoto para poder mudar de canal e esquecer.

Não, isso não é auto-ajuda. Absolutamente. Não estou aqui para mudar o rumo das coisas e dizer que você e eu somos seres especiais, feitos para vencer e que se pensarmos positivamente, tudo dará certo.

Não, pode ser que não dê. As chances de fracasso são bem grandes.

Mas eu acredito – e é disso que preciso me lembrar – na esperança, na tentativa e na vocação. Creio em Deus e nos seus sonhos me inspirando e alimentando. Tenho conhecimento de que não sou suficientemente sábio para julgar que posso pensar a respeito da vida e de mim mesmo, algo diferente do que seu Criador um dia imaginou.

Quero e preciso retomar o plano inicial. Não perder de vista o propósito e viver consciente e aberto para sonhar. E alimentar velhos sonhos.

Não, de novo, isso não trata de ambição, determinação ou foco. Ao contrário, isso aqui diz respeito à entrega, renúncia e o retorno à essência, em Deus, de quem eu sou realmente.

Ser um bom marido, um pai dedicado, trocar as lâmpadas queimadas, lavar o carro, fazer planos para o futuro e para a hora do jantar. Viver o dia de hoje. Trazer o pão quente pra casa, me alimentar do pão da vida a cada dia.

Sonhar. E viver o bom sonho do homem que se realiza em seu Deus.

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Uma foto para retomar a rotina

25/11/2009 · Deixe um comentário

De repente você sai do seu estado de conforto e começa a correr. Correr muito. É assim, em geral, quando você leva um susto, quando está sendo perseguido por ladrões e quando volta de férias e a rotina te atropela outra vez.

Bom, se em alguns casos isso é pode ser desesperador – nunca levei um susto tão grande tão pouco fui perseguido por ladrões, mas acabo de voltar de férias -, em outros é um conforto. No meu caso, entendo esse conforto por estar aqui e voltar a escrever.

Fim das férias. Assim pretendo.

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